17/12/2007

Tabela das Áreas do Conhecimento

A atual Tabela das Áreas do Conhecimento (em PDF) gera algumas polêmicas que merecem atenção por parte dos pesquisadores em Comunicação. Colocaremos neste post uma síntese de considerações à respeito deste assunto.

Uma outra polêmica diz respeito à Semiótica, que não está configurada de forma alguma nesta tabela, nem mesmo como especialidade (que seria o 4º nível de "profundidade" - a tabela disponibiliza apenas as Grandes Áreas (1º), Áreas (2º) e Sub-Áreas (3º)).

Convidamos todos os colegas (e professores) do COS para esta discussão epistemológica através do Grupo de e-mails dos ECOS PUC-SP ou, ainda, através da função "Comentários" disponível ao final desta mensagem.



Tabela das Áreas do Conhecimento, com ênfase para Comunicação e Semióticas (“Lingüísticas” e “Culturais”)

#....... Grande Área
###..... Área
######## Sub-Área

1....... Ciências Exatas e da Terra
2....... Ciências Biológicas
3....... Engenharias
4....... Ciências da Saúde
5....... Ciências Agrárias
6....... Ciências Sociais Aplicadas
601..... Direito
602..... Administração
613..... Turismo
603..... Economia
604..... Arquitetura e Urbanismo
605..... Planejamento Urbano e Regional
606..... Demografia
........ Ciências Sociais Aplicadas I
60700009 Ciência da Informação
60701005 Teoria da Informação
60701013 Teoria Geral da Informação
60701021 Processos da Comunicação
60701030 Representação da Informação
60702001 Biblioteconomia
60702010 Teoria da Classificação
60702028 Métodos Quantitativos, Bibliometria
60702036 Técnicas de Recuperação de Informação
60702044 Processos de Disseminação da Informação
60703008 Arquivologia
60703016 Organização de Arquivos
60800003 Museologia
60900008 Comunicação
60901004 Teoria da Comunicação
60902000 Jornalismo e Editoração
60902019 Teoria e Ética do Jornalismo
60902027 Organização Editorial de Jornais
60902035 Organização Comercial de Jornais
60902043 Jornalismo Especializado (Comunitário, Rural, Empresarial e Científico)
60903007 Rádio e Televisão
60903015 Radiodifusão
60903023 Videodifusão
60904003 Relações Públicas e Propaganda
60905000 Comunicação Visual
610..... Serviço Social
611..... Economia Doméstica
7....... Ciências Humanas
701..... Filosofia
710..... Teologia
702..... Sociologia
703..... Antropologia
704..... Arqueologia
705..... História
706..... Geografia
707..... Psicologia
708..... Educação
709..... Ciência Política
8....... Lingüística, Letras e Artes
801..... Lingüística e Letras
80300... Artes
80303... Música
9....... Outros
901..... Multidisciplinar
90191000 Multidisciplinar I: Meio-Ambiente e Agrárias
90192000 Multidisciplinar II: Sociais e Humanidades
90193000 Multidisciplinar III: Engenharia/Tecnologia/Gestão
90194000 Multidisciplinar IV: Saúde e Biológicas
902..... Ensino
902..... Ensino de Ciências e Matemática



A Intercom posiciona-se sobre a Comunicação como área de conhecimento

Defesa da ampliação das sub-áreas a serem incluídas na TAC

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM, exerceu papel histórico no sentido de incluir a COMUNICAÇÃO como área autônoma de conhecimento no sistema nacional de ciência e tecnologia e de sedimentar sua legitimação perante as agências nacionais e regionais de fomento científico. Essas conquistas fortaleceram sua condição de entidade aglutinadora do maior contingente nacional dos pesquisadores vinculados aos distintos segmentos do campo comunicacional, respaldando o seu credenciamento como associação integrante da rede de sociedades científicas capitaneadas pela SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Em função disso, a INTERCOM tem acompanhado atentamente o processo de redefinição das áreas de conhecimento liderado pela Comissão Mista constituída por representantes da Capes/CNPq/Finep.

Tanto assim que fortaleceu pro-ativamente o fórum promovido pela representante de área junto ao CNPq, nos dias 20-21 de maio deste ano, na cidade de São Paulo. Como resultado do consenso obtido naquele encontro, de que participaram os dirigentes das demais sociedades científicas ou representantes das comunidades segmentadas – Teoria da Comunicação, Jornalismo, Propaganda, Relações Públicas, Radialismo, Editoração, Audiovisual, Cibermídia etc. – endossou a proposta de redefinição das sub-áreas, posteriormente encaminhada ao presidente da comissão mista.

Essa proposta buscou preservar as sub-áreas historicamente incluídas na tabela vigente, além de contemplar os segmentos investigativos que estão emergindo, em sintonia com as tendências internacionais da nossa área. Trata-se de uma configuração abrangente, que reflete a nossa complexidade, abrigando não apenas as linhas de pesquisa privilegiadas pela pós-graduação, mas garantindo o espaço ocupado pelos projetos realizados na graduação, desenvolvidos nos grupos de pesquisa mantidos pelos setores público, privado e terciário, bem como no âmbito das profissões que integram o universo comunicacional.

Por isso mesmo, a Diretoria da INTERCOM recebeu com perplexidade a primeira versão da TAC – nova tabela oriunda da comissão mista das agências nacionais de fomento científico –, ponderando que a redivisão proposta, além de restritiva e polêmica, deixa de contemplar as principais sub-áreas da pesquisa aplicada, bem como os segmentos ascendentes da pesquisa experimenta, que dão conta daqueles novos objetos resultantes das inovações tecnológicas.

O campo da COMUNICAÇÃO tem perfil multifacetado, compreendendo um conjunto de conhecimentos teórico-práticos, construídos em função das demandas oriundas das indústrias midiáticas, dos serviços públicos e das organizações comunitárias, englobando profissões legalmente reconhecidas e socialmente legitimadas, cuja segmentação deve ser necessariamente refletida no elenco das sub-áreas, como vem ocorrendo até agora, e não diluídas no vasto território das especialidades.

Assim sendo, a INTERCOM solicita a revisão da TAC, reivindicando a incorporação das sub-áreas (a seguir transcritas) propostas pelo documento consensual que o coletivo das sociedades científicas da área encaminhou ao CNPq, onde está espelhada a clivagem correspondente à atividade peculiar da pesquisa comunicacional.

Área – Comunicação

Sub-áreas:
  • Epistemologia da Comunicação
  • Cinema e Audiovisual
  • Rádio e Televisão
  • Jornalismo
  • Relações Públicas e Comunicação Organizacional
  • Publicidade e Propaganda
  • Editoração e Cultura do Impresso
  • Cibercultura
  • Cultura Midiatizada
  • Comunicação e Interfaces
São Paulo, 30 de setembro de 2005

Diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares
da Comunicação – INTERCOM

Link: http://www.intercom.org.br/comunicados/comunicadostabela.shtml



SBPJor discute classificação do CNPq

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), entidade científica que congrega cerca de 200 especialistas brasileiros e portugueses que têm o jornalismo como objeto de estudo, 84 deles doutores, vem a público manifestar a sua perplexidade com a exclusão do Jornalismo e de outras áreas históricas como Cinema, Editoração, Rádio e Televisão, como subáreas da Comunicação na proposta preliminar de Tabela de Conhecimento divulgada pela Comissão CNPq/CAPES/FINEP. Tal proposta provocou mais surpresa ainda por desconsiderar as sugestões apresentadas, dentro dos prazos estabelecidos, pelas sociedades científicas e pelos pesquisadores do campo, aprovadas de forma consensual após dois dias de discussão em encontro aberto convocado pela representante de área no CNPq, maio de 2005.

Em contradição com os objetivos enunciados pelos seus signatários, de adequar a antiga Tabela à nova realidade decorrente dos avanços no conhecimento científico em uma sociedade complexa, mas sem romper com tradições existentes, a proposta elaborada pela Comissão CNPq/CAPES/FINEP, ao menos no caso da Comunicação, desconhece por completo a história epistemológica do campo. Em vez manter as atuais subáreas (Jornalismo, Rádio e TV, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Editoração, Cinema) e incluir novas como Cibercultura, Cultura Mediatizada e Comunicações e Interfaces, constituídas pelos avanços recentes do conhecimento no campo, a proposta da Comissão exclui estas subáreas tradicionais, sem qualquer justificativa epistemológica.

No caso da retirada do status de subária do Jornalismo em particular, a medida contraria toda uma tradição legitimada ao longo de mais de 300 anos, quando da defesa da primeira tese de doutorado, em 1690, por Tobias Peucer, na Universidade de Leipzig, na Alemanha. Com mais de quatro séculos de existência como prática profisional, trezentos anos como objeto específico de pesquisa, cem anos como disciplina acadêmica, presença como área em todas as tabelas internacionais e mais de 30 anos como subárea na Tabela do CNPq em vigor, o Jornalismo, que deu origem à Área de Comunicação, mesmo reconhecido com status de sete especialidades, desaparece da árvore principal, ficando relegado à condição de uma entre mais de 1.400 especialidades.

Desde a divulgação da proposta pela Comissão CNPq/CAPES/FINEP, a diretoria da SBPJor estabeleceu contatos com os representantes de área no CNPq e na CAPES, com as entidades do campo do Jornalismo - Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) - e do campo da Comunicação como Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiosivual (FORCINE), que congrega os pesquisadores em Cinema e com o Comitê Organizador da Associação Brasileira de Pesquisadores em Relações Públicas, para definir ações conjuntas a fim de garantir que a nova Tabela de Conhecimento reconheça como legítima as demandas encaminhadas à Comissão pelos pesquisadores e sociedades científicas do campo. Nos próximos dias deveremos entrar em contato com os colegas da COMPOS, de Publicidade e Propaganda e de Editoração e Cultura do Impresso, também presentes em São Paulo.

Por considerar a atual proposta inaceitável, a Diretoria da SBPJor, pretende em conjunto com as demais entidades do campo, dentro do prazo estabelecido de 30 de outubro, contatar todos os membros da Comissão CAPES/FINEP/CNPq e solicitar audências com os presidentes do CNPq, CAPES e FINEP para reivindicar que a futura Tabela de Conhecimento, em consonância com os objetivos enunciados pelos seus signatários, acolha as sugestões das sociedades científicas e dos pesquisadores, reunidos em São Paulo, em maio deste ano à convite da representante de Área no CNPq e elencadas abaixo, evitando rupturas com tradições epistemológicas estabelecidas, que colocariam o Brasil em condição de isolamento em relação aos demais países.

Área - Comunicação

Sub-áreas:
  • Epistemologia da Comunicação
  • Cinema e Audiovisual
  • Rádio e Televisão
  • Jornalismo
  • Relações Públicas e Comunicação Organizacional
  • Publicidade e Propaganda
  • Editoração e Cultura do Impresso
  • Cibercultura
  • Cultura Midiatizada
  • Comunicação e Interfaces

Brasília, 30 de Setembro de 2005
Prof. Dr. Elias Machado
Presidente da SBPJor

Link: http://www.sbpjor.ufsc.br/novo/materia.php?id=148



CARTA aberta do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ)

Aos M. D. Representantes da Área de Comunicação junto à Comissão Especial de Estudos nomeada pelo CNPq, CAPES e FINEP para propor uma Nova Tabela das Áreas do Conhecimento

O Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) vem por meio desta reivindicar junto ao CNPq, à CAPES, e à FINEP que sejam respeitados os entendimentos mantidos desde maio último com representantes dessas três entidades, por parte de um conglomerado de instituições diretamente interessadas na reclassificação da área de Comunicação, entre elas, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), o FNPJ, e a Associação Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor) e que se encaminharam no sentido de considerar o Jornalismo como subárea autônoma, entre as diversas subáreas propostas para a área de COMUNICAÇÃO.

O Fórum Nacional de Professores de Jornalismo vem, portanto, manifestar publicamente a sua estranheza perante a retirada do Jornalismo como subárea da Comunicação, tal como se pode constatar pela proposta publicada na página da CAPES na Internet, onde se verifica que o Jornalismo simplesmente desapareceu da “nova” Área de Comunicação. É inadmissível que o Jornalismo, estabelecido como campo técnico no Brasil, há quase 200 anos; como profissão, há quase 100 anos; como área de ensino, há mais de 60 anos; e como área de pesquisa junto às agências de fomento, há mais de duas décadas, receba, de uma hora para outra, e para a surpresa das partes consultadas, tratamento anômalo, passando a ser classificado como uma “especialidade” entre mil e tantas outras.

O FNPJ entende que se fosse pertinente a separação do Jornalismo de sua árvore original, a Comunicação, isto teria de ser feito no sentido de se considerar o status adquirido historicamente pelo Jornalismo, no mundo e no Brasil, como uma área do conhecimento que, na realidade, já comporta várias subáreas e especializações e não conforme o isolamento que lhe foi destinado pela “Nova Tabela das Áreas do Conhecimento”. A segregação se torna ainda mais grave se considerarmos que permanecem na área da Comunicação outras subáreas tradicionais, entre elas, “Mídias”; e “Relações Públicas e Propaganda”.

É com muita preocupação, portanto, que o FNPJ vê o desaparecimento do Jornalismo como subárea de uma área do conhecimento, ainda mais tendo em conta que o campo do Jornalismo experimenta um adensamento sem precedentes em matéria de produção, publicações científicas e organização institucional, sem contar com o papel desempenhado pelo jornalismo brasileiro no amadurecimento da vida democrática e das instituições do país. É paradoxal, portanto, verificar que, por um lado, o Jornalismo tem crescido como campo técnico, campo teórico e campo profissional. E, de outro, ser objeto de uma “reclassificação” reducionista.

No momento em que lança mais uma chamada de trabalhos, desta feita, para o seu 9o congresso, o FNPJ, na condição de entidade consultada quando dos preparativos para a elaboração da “Nova Tabela das Áreas do Conhecimento” – conduzidos por Comissão Mista CNPq/CAPES/FINEP -, vem, conseqüentemente, reafirmar o seu desejo, de ver respeitado o consenso em torno da revisão da área de Comunicação, de forma a comportar as seguintes subáreas:
  • Epistemologia da Comunicação
  • Cinema e Audiovisual
  • Rádio e Televisão
  • Jornalismo
  • Relações Públicas e Comunicação Organizacional
  • Publicidade e Propaganda
  • Editoração e Cultura do Impresso
  • Cibercultura
  • Cultura Midiatizada
  • Comunicação e Interfaces
Brasília (DF), 1 de outubro de 2005

Professor Dr. Gerson Luiz Martins
Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
Presidente

Professor Dr. Luiz Martins da Silva
Diretor Científico - FNPJ

Link: http://www.fnpj.org.br/noticias.php?act=listar&cod=370



Um comentário:

Leandro Salvador disse...

Dado que:
1. "Ciências Socias Aplicadas" são uma Grande Área (a 6a);
2. "Ciências Humanas" são outra Grande Área (a 7a);
3. "Lingüística, Letras e Artes" são outra Grande Área (a 8a);
4. Dentro da Grande Área "Ciências Socias Aplicadas", está a Área "Ciências Socias Aplicadas I";
5. Dentro da Área "Ciências Socias Aplicadas I", está a Sub-Área "Comunicação";
6. O PEPGCOS da PUC-SP está inserido dentro desta Sub-Área "Comunicação".

Desta forma, se nossas pesquisas contiverem fortes ingredientes de Áreas (dentro da Grande-Área "Ciências Humanas") como:
- "Filosofia",
- "Sociologia",
- "Antropologia",
- "Psicologia" ou
- "Ciência Política"...
ou ainda de Sub-Áreas (dentro da Grande-Área "Lingüística, Letras e Artes") como:
- "Teoria e Análise Lingüística",
- "Crítica da Arte",
- "Artes Plásticas",
- "Fotografia" ou
- "Cinema"...

... estaria correto concluirmos que não há aderência da dissertação/tese:
- nem com a Sub-Área "Comunicação",
- nem com a Área "Ciências Sociais Aplicadas I",
- e nem muito menos com a Grande-Área "Ciências Sociais Aplicadas"?!?

Em caso afirmativo, pergunto a quem possa saber: o COS pode ter mantido o conceito CAPES em 4 (ao invés de 5) devido à falta de aderência das dissertações e teses produzidas no programa com a "Comunicação" (ou mesmo, que seja, com as "Ciências Sociais Aplicadas")?!?

Como sabemos, se o COS tivesse recebido 5, ao invés de 4, uma das mudanças mais significativas à favor do Programa seria o aumento do número de bolsas...

Desta forma, talvez a discussão dentro do COS sobre o que é "Comunicação", da teoria à prática, seja de grande importância!